sábado , 23 outubro 2021
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Reservatórios de água de São Paulo têm, juntos, 37,7% da capacidade

O volume de armazenamento de água nos reservatórios de São Paulo continua caindo apesar do temporal deste domingo (3). O sistema Cantareira, o maior reservatório, tem nesta segunda-feira (4) apenas 29,6% da capacidade. Juntos, os sete mananciais totalizam 37,7% da capacidade para abastecimento da população, segundo dados da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo). Três reservatórios operam em situação de alerta.

Apenas o sistema Rio Grande tem 75,8% do volume de armazenamento. Os outros seis mananciais registram menos da metade da capacidade: Rio Claro (35,6%), Alto Tietê (39,7%), Guarapiranga (44,9%), Cotia (48,7%) e São Lourenço (49,6%).

O Cantareira está em alerta. O sistema é formado por cinco reservatórios (Jaguari, Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro). Para ser considerado volume normal, o manancial deveria ter ao menos 60% da capacidade de armazenamento. O índice atual é o pior dos últimos 5 anos.

A Sabesp tem uma escala para medir o volume útil dos reservatórios. O manancial está normal quando é igual ou maior que 60%; em estado de atenção quando é igual ou maior que 40% e menor que 60%; em alerta quando está maior que 30% e menor que 40%, e em restrição quando é maior que 20% e menor que 30%. A medição de referência é a do último dia do mês.

A previsão era de que a situação piorasse apenas no fim do ano, mas com a estiagem e as chuvas abaixo da média, o problema se agravou.

Apesar disso, segundo a Sabesp, ainda não está prevista uma alteração na operação do sistema Cantareira.

Chuvas de verão

Segundo a Climatempo, os acumulados de chuva devem ficar abaixo da média também nos meses do verão.

“Outubro dá início à estação chuvosa na capital. A média varia entre 120 e 200 mm no mês. Mas as chuvas da primavera são isoladas e mal distribuídas. O temporal pode ser forte em uma cidade e não na outra. Isso não vai ajudar a reverter a situação de abastecimento de rios e reservatórios”, explica a meteorologista da Climatempo, Dóris Palma.

A situação se torna ainda mais grave porque também choveu pouco em dezembro de 2020, quando eram esperadas chuvas volumosas na estação. O impacto pode ser sentido ao longo dos meses de estiagem.

“Para o verão, o cenário piora um pouco. Espera-se que as chuvas ganhem força, mas este não será o cenário este ano. Teremos chuvas abaixo da média em dezembro e em janeiro, melhora um pouco em fevereiro. Não é a ausência total, mas os acumulados não serão suficientes para alcançar a média, que é de 200 a 300 mm”, afirma a meteorologista.

Sistema Cantareira tem apenas 29,6% da capacidade de armazenamento e está em alerta

Sistema Cantareira tem apenas 29,6% da capacidade de armazenamento e está em alerta

AMANDA PEROBELLI/REUTERS – 03.09.2021

Reservação de água

A seca que atinge a mata do entorno dos reservatórios prejudica o armazenamento de água das chuvas. “O reservatório não é igual uma piscina. Quando o solo está seco, primeiro se hidrata o solo, para depois acumular a água. A recuperação dos reservatórios demora muito mais. Quanto mais baixo o nível, mais lenta a recuperação”, ressalta o professor de Pós-Graduação em Ciência Ambiental do Instituto de Energia e Ambiente da USP, Pedro Luiz Côrtes.

O cenário ideal seria de chuva em toda a bacia do Paraná, sobre o rio Tietê e em regiões como Campinas, no interior, para abastecer o sistema Cantareira. 

“Às vezes não precisa chover em toda a extensão do rio. Se chover na cabeceira já melhora a afluência. Não reverte ou melhora significativamente o quadro, mas ajuda”, destaca Dóris Palma.

Fonte: R7

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