sábado , 23 outubro 2021
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Há 7 anos, casas gastavam mais energia mesmo sem home office

Os números oficiais do consumo de energia elétrica no país mostram que ou não aumentou ou subiu pouco o gasto nas residências durante a pandemia de covid-19, período em que milhões de brasileiros passaram a trabalhar em casa.

O que parece uma contradição, afinal a transferência dos escritórios para casa consome mais energia, pode ser explicado porque dentre os cerca de 75 milhões de residências que recebem energia no Brasil, há não só trabalhadores que foram para o home office. “Saltou de 11 milhões em 2019 para mais de 14,4 milhões o número de desempregados, sem contar que todos os brasileiros, de forma geral, precisaram economizar para conseguir pagar a conta, cada vez mais salgada”, afirma o economista e professor de direito ambiental Alessandro Azzoni.

O custo da conta de luz residencial aumentou 21,08% nos últimos doze meses, segundo o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de agosto, divulgado pelo IBGE. A inflação no período ficou em 9,68% e o salário mínimo nacional subiu 5,2% de 2020 para 2021.

O cruzamento de dados do EPE (Empresa de Pesquisas Energéticas)), órgão ligado ao Ministério das Minas e Energia, mostra que ficou em 166,5 kwh o gasto residencial médio entre março de 2020 e julho de 2021, todos em meio à pandemia. Na comparação com os mesmos 17 meses de 2013 e 2014, com 167,3 kwh de consumo, houve queda de 800 watts em cada lar brasileiro.

Então por que ficou mais caro? “No cálculo do custo do consumo residencial entram preços diferentes para cada horário. Você pode ter um aumento na conta de luz, por exemplo, por ligar aparelhos no fim da tarde, em que a energia é mais cara.”

As distribuidoras de energia cobram mais por kwh em horários de alto consumo, entre 17h ou 18h e 21h, dependendo da região. “No início da noite, muitos ainda estão trabalhando em casa, com computador e luzes ligadas”, diz Alessandro Azzoni.

De acordo com o site da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), o kwh na capital paulista, por exemplo, custa R$ 1,115 nos horários de pico e cai para R$ 0,594 no restante do dia. 

Se a comparação dos gastos residenciais atuais for com 2018 e 2019, anos imediatamente anteriores à disseminação do novo coronavírus no mundo, houve um aumento de 5 kwh/mês (de 161,5 para os 166,5 atuais). “Isso é média, pode ser que um consumidor tenha duplicado a conta porque passou a trabalhar de casa e outro, reduziu pela metade porque perdeu o emprego e não consegue mais quitar o débito’, argumenta o economista.

Além disso, a energia era mais barata no passado, por diversos fatores, conta Azzoni. O acionamento de usinas térmicas, cada vez mais usual, para evitar colapsos nas hidrelétricas com a falta de chuvas no país ajuda a encarecer a conta.

Outra causa é o desperdício da energia elétrica. Aproximadamente 15% de tudo o que é produzido pelas usinas do país (dados da Aneel) são simplesmente jogados fora por problemas técnicos do sistema ou por roubos e fraudes.

Fonte: R7

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