domingo , 28 novembro 2021
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COP26: entenda a importância da cúpula deste ano para o planeta

Durante a COP26 (26ª Conferência das Nações Unidas para a Mudança do Clima), líderes de 196 países se reunirão em Glasgow, na Escócia, entre 31 de outubro e 12 de novembro para discutir avanços no enfrentamento do aquecimento global. A COP é um evento anual que faz parte da Convenção Quadro da ONU sobre Mudanças Climáticas e que ocorre desde março de 1994.

No evento deste ano, os líderes mundiais irão avaliar o que foi feito desde o Acordo de Paris, marco nas negociações sobre o clima e assinado por quase 200 países, na COP21, em 2015, com o objetivo de evitar a mudança climática catastrófica do planeta. Desde então, a comunidade internacional espera uma atualização dos compromissos.

Em Paris, ficou acordado que de cinco em cinco anos os signatários do documento analisaram o progresso das medidas. A primeira análise deveria ocorrer em 2020, mas devido à pandemia de Covid-19, ela irá acontecer neste ano.

Para Alice Thuault, Diretora Adjunta do ICV (Instituto Centro de Vida), cientista política e implementadora de pesquisas sobre políticas climáticas e governança florestal, a COP26 terá uma importância fundamental após a publicação de novos dados científicos, especialmente depois do relatório do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas), da ONU, publicado em agosto deste ano.

O documento revelou que o aquecimento global está se agravando mais rápidamente do que a estimativa dos cientistas e as atividades humanas têm a maior parcela da responsabilidade nessa situação. 

“O relatório mostrou que o mundo não está dando conta do desafio de frear as mudanças climáticas e que, provavelmente, aquele aquecimento de 1.5ºC a 2°C, que era estimado para um futuro um pouco mais distante, na verdade irá acontecer nas próximas décadas”, apontou a especialista.

“No Acordo de Paris muitos pontos ficaram em aberto. É preciso detalhar os planos concretos para a redução do desmatamento e para que possamos sair de uma economia baseada no carvão. Uma parte bem importante dessa COP é saber quem vai pagar a conta”.

A Conferência implementa uma dinâmica de responsabilidade compartilhada, mas diferenciada. O grupo trabalha com uma visão de que algumas nações produziram muitas emissões de carbono no passado, desta forma, precisam ajudar os países mais pobres e com menos emissões a desenvolverem meios de produção mais limpos com os mecanismos de financiamento.

De acordo com Alice, o Green Climate Fund (Fundo Verde do Clima), que deveria em 2020 garantir US$ 100 bilhões, o equivalente a R$ 556 bilhões, para suprir as demandas dos países em desenvolvimento, ainda precisa de US$ 20 bilhões, mais de R$ 110 bilhões, para cumprir a meta.

A COP26 também será importante porque em fevereiro deste ano os Estados Unidos se reintegraram oficialmente ao Acordo de Paris. Desde a assinatura do pacto em 2015, os EUA foram o único país a sair do tratado. O ex-presidente Donald Trump alegou que a ação climática era cara demais.

Para a especialista, a volta dos EUA às negociações é muito importante, já que o país é um grande emissor de carbono. “Eles também são grandes impulsionadores de mudanças com recursos e com aspectos internos. As últimas COPs ficaram deficientes da participação deles porque é difícil negociar mudanças sem a presença de todos os países.”

“De certa forma, essa será uma COP muito impactada por uma ordem geopolítica que está marcada por enfrentamentos. A ordem mundial vai impactar a Conferência e a tensão entre os países pode ter efeito nas próprias negociações sobre o clima.”

Fonte: R7

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