sábado , 23 outubro 2021
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Alícia fura ‘clube do bolinha’ e leva medalha de prata em física

Alícia Duarte Silva, estudante do segundo ano do ensino médio, conquistou a medalha de prata em física na competição European Physics Olympiad (EuPhO) e a terceira melhor colocada entre as meninas na competição.

Com a pandemia de covid-19, as provas foram da EuPhO foram realizadas online nos dias 19 e 26 de junho, com a participação de 219 estudantes de 46 países.

“Estava muito nervosa, são dois dias de prova e saí sem saber bem como tinha ido, fiquei na expectativa até a quarta-feira, quando saem as notas preliminares, que é possível questionar algum ponto da correção da prova”, conta Alícia. “Na quarta, eu me animei muito porque seria ouro, mas na sexta, no resultado oficial, por décimos, fiquei com a prata, o que é um excelente resultado.

Os participantes realizaram as provas em seus países de origem, mas os enunciados são em inglês. Durante o exame, eles foram monitorados por uma câmera para evitar qualquer tipo de fraude. No Brasil, o encontro dos estudantes ocorreu em Campina Grande, com a supervisão de professores da UFPB (Universidade da Paraíba). Alícia compôs a equipe com mais quatro estudantes.

Foram propostas três questões teóricas para cinco horas de avaliação e dois experimentos complexos e diferentes para mais cinco horas. As experiências foram realizadas por computador, o que antes da pandemia eram realizadas em laboratórios.PUBLICIDADE

“Passava até 14 horas estudantes desde que passei pela seletiva, participava das aulas especiais e fazia simulados”, conta a aluna do colégio Objetivo Integrado que começou a se preparar para a competição em março.

O professor-orientador nos cursos especiais de Física e mentor, Ronaldo Fogo, não esconde o orgulho que sente pela aluna. “Alícia é uma menina muito focada, estudiosa, que desde cedo demonstrou talento para a área de física, quebrando furando a bolha machista da área de exatas”, diz. “Ela avançou tanto, que hoje estuda com livros de física voltados para universitários e em inglês.”

Foi a primeira vez na história da competição que uma menina aos 16 anos, cursando a 2ª série, conquistou medalha de prata na EuPho.

Pequena notável

A trajetória da adolescente de apenas 16 anos começou cedo, no 8º ano do ensino fundamental. “Eu vi os alunos mais velhos estudando física e eu queria fazer atividades mais difíceis, queria me superar, aprender cada vez mais.”

O resultado é uma coleção de medalhas em olimpíadas de conhecimento: prata na Olimpíada Internacional Júnior de Ciências (IJSO) e na Olimpíada Brasileira de Ciências (ambas em 2019); ouro na Olimpíada Brasileira de Física – OBF (2019 e 2020); ouro na Olimpíada Paulista de Física – OPF (2019); ouro na Olimpíada de Química do Estado de São Paulo – OQSP (2021) e os prêmios Prof. Geraldo Vicentini, pela primeira colocação na modalidade A (1ª e 2ª série) e “Mulheres para a Química”.

“Eu era a única menina na sala da turma das olimpíadas de física, mas isso nunca me abalou, sempre me dediquei, sempre gostei de estudar, às vezes sinto um pouco sozinha, sinto falta de outras meninas que compartilhem os mesmos objetivos”, diz.

Para o professor Ronaldo Fogo, o exemplo de Alícia deve inspirar outras meninas a competirem. “Ela conseguiu destaque em um universo majoritariamete masculino, outras alunas estão vendo o resultado de Alícia e ela se torna uma referência para as outras.”

Fonte: R7

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